Friday, August 6, 2010

A Origem (Inception)


Uma tela escura embalada por uma trilha no último volume. Assim se revela "A Origem"(Inception, 2010) para o espectador. O novo filme de Christopher Nolan não traz à tona de forma tão explicita o suspense policial e os dramas obsessivos de seus últimos (ótimos) trabalhos.
Nolan faz aqui mais um excelente exercício narrativo (marca registrada dos seus filmes como Amnésia, O Grande Truque e O Cavaleiro das Trevas), só que dessa vez mais interessado em tratar da força e vulnerabilidade dos sonhos do que angústias pessoais (ainda que estejam presentes no filme e de forma subliminar contribuindo com o todo). A trama sobre um grupo de especialistas em extrair idéias das pessoas durante o sono foge do lugar comum e arrisca-se em brincar com tantas questões pertinentes à sétima arte. Algo no qual se sai muito bem, a exploração do tempo através dos níveis de sonho que os personagens atravessam e a dualidade do real x imaginário permeiam toda a extensão da produção, sem cansar ou fazer com que o espectador se perca (demais) no desenrolar dos eventos.
O elenco é afiado, uma verdadeira seleção de boas atrizes (Ellen Page, Marion Cotillard) e atores (Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe, Michail Cane, Cillian Murphy, Joseph Gordon-Levitt) que fazem (todos) jus ao reconhecimento adquirido. Muitos desses, habituais colaboradores de Nolan, assim como o músico Hans Zimmer que com a colaboração do ex guitarrista do Smiths Johnny Marr entrega seu melhor trabalho na parceria com o diretor até então. Além deles, o diretor de fotografia Wally Pfister e o editor Lee Smith colaboram na habilidade de Nolan em fazer o que bem entende quando quer narrar uma história. Ainda por cima, "A Origem" traz algumas das cenas de ação mais criativas dos últimos anos - os fãs do gênero não terão do que reclamar aqui.
Mas o que faz de "A Origem" um espetáculo é mesmo sua capacidade de não se render as artimanhas dos blockbusters de sempre - não há romances sem graça, não há vilões e heróis fáceis. Após sermos apresentados aos conceitos de compartilhamento de sonhos e extração de idéias o filme vai revelando seus mistérios e até a última cena segue em um ritmo impressionante de sucessões.
O cinema sempre foi lembrado por sua possibilidade de fazer dos sonhos realidade. "A Origem" marca por transitar de forma elegante, quase como um desfile por esses dois extremos sem favorecer a um ou a outro, mas tornando a experiência memorável - seja pelo seu ritmo, pela sua ação, pelos pequenos detalhes (o peão deve se tornar a referência da obra) ou por perceber que o mistério do filme continuará na memória após ser encerrado por uma tela escura embalada por uma trilha no último volume.

Trailer


Excerto da apresentação da trilha - Hans Zimmer & Johnny Marr

Friday, July 16, 2010

Little Boots

Ela já esteve por aqui antes. Little Boots é uma artista que usou o ano de 2009 para capturar ouvidos. Mostrando muito apuro técnico em suas músicas, a cantora-tecladista emplacou um disco de estréia -Hands- quase que perfeito. O reconhecimento veio de imediato, alcançando boas critícas e sucesso de público. O fato é que Boots faz um ótimo mix de tecno + house + clubber com um sabor pop irresistível e - ainda sim - é simples e acessível, carismática e iventiva (sim, Boots opera - e muito bem - a parafernália de instrumentos eletro-exóticos de suas canções) e o que é mais importante - sabe se segurar apenas na sua música, embora conte com infraestrutura de peso (entre seus produtores está Joe Goddard do Hot Chip e tem distribuição de um grande selo, Warner). Seus vídeos são bem produzidos e suas apresentações ao vivo são - na falta de um adjetivo melhor - espetaculares!
Confira um pouco de Boots nos vídeos abaixo.



Gostou? Então acompanhe a apresentação ao vivo de boots com a música Stuck On Repeat!

Friday, April 2, 2010

A Noite Americana


Este belo exercicio de metalinguagem é um dos mais aclamados filmes de um dos pais da Nouvelle Vague, François Truffaut.
Há uma grande quantidade de títulos que se destinam a revelar ao público um pouco da arte de se fazer filmes - de "Cantando na Chuva" à "Oito e Meio" até obras mais recentes como "Ed Wood" e "Adaptação". Entretanto poucos são os que conseguem transmitir tamanho amor pelo cinema como A Noite Americana, que além de ser um filme dentro do filme se alimenta da própria sétima arte com referências (algo sempre presente na filmografia do Truffaut) que cercam toda a obra - em uma delas temos o espalhar de livros sobre Lubitsch, Hitchcock, Goddard, Bergman, Hawks e outros gênios ao som da bela trilha de Georges Delerue.
A Noite Americana faz uma interessante mistura entre um elenco composto por estrelas internacionais (Jacqueline Bisset) que compõem o fictício "A Chegada de Pamela" e membros da equipe técnica que interpretam os técnicos do mesmo filme.
Produzido no inicio dos anos 70 a obra ainda faz uma reflexão sobre "o cinema de autor" algo também marcante em Truffaut tanto na filmografia quanto em sua carreira de crítico da Cahiers du Cinema.
No entanto o que fica mesmo para o público é o belo (e divertido) retrato desse esforço em transformar sonhos em realidade, empreendidos incansavelmente por realizadores que na frente ou atrás das camêras conseguem fazer até o dia ser tão escuro quanto a noite ou a noite tão clara quanto o dia...

nt.: Noite Americana é uma técnica cinematográfica que consiste em filmar cenas noturnas à luz do dia com o uso de filtros especiais para diminuir a itensidade da luz.


Saturday, March 20, 2010

Música: Orinoco Flow - Enya

Com este incrível sucesso, Enya deixou de ser uma artista conhecida apenas por ouvintes de música New Age para ver seu trabalho ganhar repercussão mundial.
Orinoco Flow é um daqueles raros momentos que transcendem toda a obra de um artista. Talvez a celébre citação "Navegar é Preciso" tenha encontrado aqui seu par perfeito, pois a canção nos passa o tempo todo um desejo apaixonante de aventurar-se, algo digno das grandes navegações empreendidas séculos atrás...

Tendo alcançado o topo das paradas em vários países e permanecendo por várias semanas no topo das rádios britânicas, Orinoco Flow tornou-se o primeiro grande hit da música erudita em dois feitos raros - transcender a opinião pública x opinião critica e transcender aos genêros musicais.

Não importa se o que se escuta nesse trabalho é New Age, World Music, Clássico ou Erudito - importa apenas apreciar a verdadeira epopéia de harpas, tambores, letras e vozes deste verdadeiro clássico moderno.

nt: Enya ainda encontrou espaço na letra para homenagear seus produtores na Inglaterra e Irlanda - Ross Cullum e Rob Dickens



Sunday, January 17, 2010

Ser e Ter




Este documentário francês de 2002 ganhou o mundo a partir da seleção oficial do festival de Cannes. Narra o período letivo de uma turma de crianças de 3 a 12 anos no interior da França.
Aprendendo muito mais que as disciplinas normalmente ensinadas nas grades curriculares, meninos e meninas são orientados por um professor em regime de dedicação exclusiva e integral que acompanha o desenvolvimento intelectual e humano de seus alunos para além dos limites da sala de aula.
Respeitando a individualidade e o ritmo de desenvolvimento de cada pupilo, o professor
(Georges Lopez) os conduz a adolescência de forma branda, mas carregada de razão, respeito, responsabilidade e muita sensibilidade.
O diretor Nicolas Philibert consegue a proeza de registrar de forma única a ação e espontaneidade dos jovens em um registro poético, real, sentimental e absolutamente sincero da atividade educacional.

Saturday, December 26, 2009

Música da semana 25.12 - 01.01: Paper Planes - M. I. A.



O último música da semana do ano. A escolhida pra encerrar o período de 2009 foi 'Paper Planes' do excepcional album 'Kala' que a M.I.A. lançou em 2007.
A música é construída em cima de 'Straight to Hell' (clássico punk do Clash) e contém toda a irreverência, o sarcasmo e a originalidade exótica que fizeram da britânica uma das maiores revelações da década.

Bom final de ano, em 2010 tem mais!

Thursday, December 24, 2009

Avatar


O filme mais esperado do ano apresenta números dignos de sua expectativa. Até o momento Avatar já faturou mais de 350 milhões de doláres, caminhando a passos largos para se tornar uma das maiores bilheterias da história.
Em 160 minutos de filme, James Cameron narra a luta dos habitantes (conhecidos como Na´Vi) do planeta Pandora em preservar suas terras da exploração empreendida por grandes empresas da Terra.
Sam Worthington vive Jake, soldado preso a uma cadeira de rodas que se alista ao programa avatar, cujo objetivo é transpor a consciência de um homem para uma simulação Na´Vi criada em laboratório. Inicialmente, sua missão é infiltrar-se e descubrir informações que facilitem os interesses humanos no planeta. Entretanto, Jake se apaixona pela cultura nativa e passa a liderar a luta contra seus semelhantes.
É exatamente como muitos já disseram, um misto de Pocahontas + O Último dos Moicanos + Dança com Lobos com uma pegada Sci-Fi.
Não deixa de ser bonito. É um espetáculo técnico de grandes proporções, produzido há mais de uma década e alardeado pelos quatro cantos do mundo como o evento que consolidará de vez o cinema 3D.
Realmente, a qualidade (e quantidade) dos efeitos impressiona. Não há como não se deixar levar pela expressividade de Naytiri (Zoe Saldana) ou mesmo a versão Na´Vi de Jake, que à primeira vista me pareceu um tanto infantil. Ainda há uma porção de máquinas interessantes, como os helicópteros de hélices nas laterais e os robôs de guerra pilotado pelos humanos (referência a Aliens do próprio Cameron e porque não ao clássico dos videogames Front Mission).
Os cenários também são de uma beleza ímpar, Pandora lembra a selva do King Kong de Peter Jackson só que maior e fosflorescente.
No conjunto geral Avatar é um bom filme, mas que não tem o poder de emocionar como um Senhor dos Anéis por exemplo. As cenas de ação são ótimas, mas não trazem a tensão de outras obras do próprio Cameron, como o Exterminador do Futuro 1 & 2, O Segredo do Abismo ou True Lies. No entanto, para a média do que se anda fazendo atualmente acaba ficando de bom tamanho.
Também tinha grande expectativa pela trilha do James Horner, um excelente compositor que entrega aqui um trabalho apenas mediano, longe do brilho de suas composições para A Ira de Khan, Krull, ou Uma Mente Brilhante.
No mais vale ressaltar a presença da Sigourney Weaver em um papel de destaque e o retorno do James Cameron após 12 anos sem realizar um longa de ficção.
E agora é torcer para que Batle Angel Alita seja confirmado como próximo longa do diretor, a trama da ciborgue-humana tem tudo para se tornar um filmaço de ação/ficção bem ao estilo dos sucessos que o consagraram antigamente.
Se Avatar foi o resultado de um longo ensaio, podemos ter certeza que o melhor ainda estar por vir...